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Guilherme Bento

MINHA MISSÃO

Por volta dos 13 anos, decidi testar uma técnica do livro Viagens Fora do Corpo, de Robert Monroe. Era incomum o interesse por esses assuntos, interesse não compartilhado pelos colegas da minha idade.

Já era tarde quando desci até o porão da casa onde morava, sentei num sofá e respirei profundamente. O silêncio era absoluto.

Alguns minutos se passaram enquanto eu me concentrava em uma das técnicas descritas naquele livro. Espantosamente comecei a ver flashes de luzes coloridas na região da minha testa, tudo começou a girar intensamente, eu me sentia como se meu corpo aumentasse de tamanho, ele parecia inflar.

Minha respiração ficou acelerada e da mesma forma que meus batimentos cardíacos dispararam, as sensações desapareceram por completo, em seguida, deixando-me um semblante de curiosidade, espanto e entusiasmo.

Essa foi a primeira vez que o não manifesto se descortinou para mim. Havia algo além, o intangível, os bastidores da minha consciência.
Por toda a adolescência até a fase adulta, dediquei-me a estudar esses fenômeos parapísquicos, como a projeção da consciência, por exemplo.
A predominância do intelecto e a busca em compreender o intangível pela lente da mente lógica, ao longo dos anos, foi estreitando o caminho do coração. Hoje entendo totalmente.

Isso me trouxe alguns problemas, que eu só perceberia anos depois. Dificuldades de assimilar meus estados emocionais, dificuldade em expressar minha vulnerabilidade, crises de ansiedade, dificuldades de me conectar com as pessoas e criar relacionamentos harmonisosos com limites saudáveis, codependência, dificuldade de sair do intelecto... e sentir o coração. E obviamente, o sinal clássica da necessidade de transformação, a depressão.

Foi somente aos 28 anos, em 2014, que tive minha primeira experiência com o yoga. Eu que passara grande parte da minha vida tentando sair do meu corpo, agora começava a trilhar o caminho inverso.

Pouco tempo depois tomei a decisão de tirar o foco da carreira de desenvolvedor web, que me levou até a atuar no senado brasileiro. O máximo aos olhos da sociedade, igualmente frustrante. Se eu pudesse descrever a sensação de não pertencer, seria essa... trabalhar no senado.

Na minha jornada de autoconhecimento, eu já havia compreendido algumas coisas sobre o ego humano. Mas era tudo muito teórico e voltado para o mundo exterior. No final das contas, sempre havia algum culpado, que não era eu geralmente.

No yoga, foi a primeira vez que eu pude me despir dos meus personagens e máscaras sociais. Tornei-me um observador de mim mesmo, do meu conteúdo mental, do intelecto, do ego, até a conscientização da isometria do meu corpo, coisa que eu nem sabia que existia... finalmente pude compreender que eu não era nada do que minha mente dizia.
“Eu queria sair da inércia, da depressão, do medo e das histórias que minha mente costumava criar sobre mim e sobre as outras pessoas. Eu queria a verdade verdadeira.”
Yoga foi um grande divisor de águas na minha trajetória. Tudo mudou na minha vida. Até minha profissão.

As coisas aconteceram bem depressa. Pouco tempo depois, planejei e realizei minha sonhada viagem para a India. Foi na World Peace Yoga School aonde tornei-me apto a ensinar yoga.

“Havia um professor indiano austero, mas igualmente engraçado. Ele sabia como extrair nosso máximo esforço, mas também sabia como ser acessível a todos. Aquele era um excelente professor. Num dado dia, durante a meditação semanal em grupo, experimentei um estado de expansão da consciência e pude sentir a eletricidade daquela aura, as cores, as formas, aquilo foi uma espécie de confirmação pra mim. Um sinal! Sabe quando você precisa de um sinal na vida? Foi ali. Eu abri os olhos discretamente e percebi que um rapaz americano ao meu lado estava chorando silenciosamente tanto quanto eu. Eu nem lembro o conteúdo da palestra, talvez estivesse em transe, mas lembro que era algo a ver com "não perder tempo". Uma presença tão segura que transcendia a racionalidade preenchia aquela sala, tão amorosa e viva, repleta de energia que quase que instantâneamente retirou da minha mente e coração resentimentos que eu vinha carregando há anos. Eu acessei então... o caminho do coração. Quando terminou a meditação, algumas pessoas, dentre elas eu, sorriam feito loucas, sorriam sem motivo. Elas só queriam rir! Já outras não conseguiram alcançar a frequência ideal que a experiência demandava, suas mentes estavam fechadas com pensamentos de suspeita e charlatanismo. Aquele foi o sinal que fui buscar, a sensação de estar no lugar certo, seguindo meu cronograma espiritual de vida.”

Depois que voltei, usufrui ao máximo da minha "licença para ensinar".

“Eu lembro que assim que cheguei da India, mesmo que com poucos recursos, eu mesmo construi um cavalete para anunciar minhas aulas. "Saudação ao sol na Ponta Negra"... Eu fui pra rua e comecei a praticar no meio dela, com meu cavelete ali ao lado. Debaixo do sol mesmo... Eu não estava nem aí se iriam me achar exibicionista, nascisista ou qualquer coisa. Eu queria ser uma voz, eu queria meu espaço e fui atrás dele. Logo surgiram convites para dar aula. Aos poucos fui construindo confiança para me colocar na frente de dezenas de pessoas, dizendo-lhes como respirar, como se movimentar, uma responsabilidade grande para quem estava habituado a viver atrás da tela do computador. O primeiro lugar aonde dei aula foi numa sala muito pequena aonde cabiam 6 pessoas além de mim. Ali eu pude me testar e superar meus medos. Medo de ser visto, medo de ser julgado, medo de ser comparado, medo de errar... ” “Nas minhas aulas, eu não ensino as pessoas a serem boazinhas. Eu ensino as pessoas a ouvirem a verdade interna e essa verdade as vezes espera de você reações mais enérgicas para conduzir a sua própria vida e protagonizar a sua trajetória. O senso comum em torno dos valores do yoga também podem facilmente converter-se em dogma se não forem atentamente observados com o discernimento de saber descartar o que não serve para a sua individualidade. As vezes sob a premissa de representar o papel do ser espiritual, forçamo-nos a agir com gentileza quando nossa verdadeira vontade é expressar nossas emoções reprimidas! Temos dificuldades de acessar emoções de raiva, por exemplo. Ou vergonha. Quantos de nós herdamos de nossos pais inteligência emocional? Fomos ensinados que emoções que causam desconforto, seja em nós ou em quem estiver por perto, são ruins. Evitáveis. Isso não é verdade. Toda a emoção dentro de si precisa ser ouvida e legitimada. E posteriormente reintegrada.
Do contrário, é simplesmente impossível passar pela vida com o mínimo de autenticidade. Estaremos sempre representando algum papel, seja da vítima ou do algoz. Ou o que for conveniente no momento. Sempre haverá uma parte de nós que nem a gente quer ouvir e ver. Ensino meus alunos e sigo aprendendo também, com minha própria abordagem, que eles podem acessar esse conteúdo interno, observar, sentir e integrar. E que está tudo bem! O que é suprimido, persiste em nossas vidas. O que é compreendido e reintegrado, Dissolve no passado e deixa de atuar no nosso campo quântico, perde a força e o poder. Dessa maneira, podemos finalmente relaxar e apreciar o aqui e agora.“

Continuo desejando, mentalizando e criando novos sonhos que me incentivem a permanecer crescendo no yoga, sinto que é o caminho mais real que já percorri. E é isso que desejo oferecer a cada um de vocês por meio da MOVA.GURU. Uma porta... para a realidade.

Sat Nam.